terça-feira, 23 de outubro de 2012

Enganai-me sempre assim

No mundo há poucos seres tão libertinos quanto o cardeal de… do qual, considerando-se que ainda seja homem saudável e vigoroso, permiti-me guardar o nome em segredo. Sua eminência tem um acordo feito em Roma com uma dessas mulheres cuja profissão oficiosa é fornecer aos devassos objetos necessários ao alimento de suas paixões; todas as manhãs ela leva até ele uma jovem de no máximo treze a catorze anos, a qual monsenhor só usufrui da maneira inconveniente com que os italianos não raro se deliciam, de modo que a vestal, saindo das mãos de Sua Grandeza tão virgem quanto antes, possa, uma segunda vez, ser vendida como nova a algum libertino mais decente.

A matrona, totalmente a par das máximas do cardeal, não encontrando, certo dia, a seu alcance, o objeto cotidiano o qual era obrigação sua fornecer, imaginou travestir como uma menina um belíssimo menino do coro da igreja do chefe dos apóstolos; colocaram-lhe uma peruca, uma touca, saiotes, e todo o aparato falso que se devia impor ao santo homem de Deus. Todavia, não se lhe pôde conferir o que realmente ter-lhe-ia assegurado semelhança total com o sexo que ele imitava; mas essa circunstância muito pouco embaraçava a alcoviteira…

– Ele não pôs as mãos lá nestes dias, – dizia àquela dentre suas companheiras que a ajudava na trapaça ele só visitará, com toda a certeza, o que assemelha essa criança a todas as meninas do universo; assim, nada devemos temer…

A mãezinha se equivocara; decerto ignorava que um cardeal italiano era homem de tato muito delicado, e gosto apurado o bastante para se enganar em semelhantes coisas; chega a vítima, o grande padre a imola, mas ao estremecer pela terceira vez:

- Per Dio santo, - exclama o homem de Deus – sono ingannato, questo bambino è ragazzo, mai non fu putana!

E ele verifica… Contudo, nada acontecendo de muito embaraçoso para um habitante da santa cidade nesse lance aventuroso, sua eminência prossegue, dizendo, talvez, como esse camponês a quem se serviu trufas como batatas: Enganai-me sempre assim. Mas quando a operação terminou:

- Senhora, – diz ele à aia – não vos censuro por vossa confusão.

- Monsenhor, desculpai-me.

- Como vos disse, não vos censuro, mas quando isso acontecer-vos de novo, não deixai de advertir-me, porque… O que eu não vir no primeiro momento, verei neste aqui.
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SADE, Marquês de - Contos Libertinos

O marido padre

Conto provençal

Entre a cidade de Menerbe, no condado de Avinhão, e a de Apt, em Provença, há um pequeno convento de carmelitas isolado, denominado Saint-Hilaire, assentado no cimo de uma montanha onde até mesmo às cabras é difícil o pasto; esse pequeno sítio é aproximadamente como a cloaca de todas as comunidades vizinhas aos carmelitas; ali, cada uma delas relega o que a desonra, de onde não é difícil inferir quão puro deve ser o grupo de pessoas que freqüenta essa casa. Bêbados, devassos, sodomitas, jogadores; são esses, mais ou menos, os nobres integrantes desse grupo, reclusos que, nesse asilo escandaloso, o quanto podem ofertam a Deus almas que o mundo rejeita.

Perto dali, um ou dois castelos e o burgo de Menerbe, o qual se acha apenas a uma légua de Saint-Hilaire - eis todo o mundo desses bons religiosos que, malgrado sua batina e condição, estão, entretanto, longe de encontrar abertas todas as portas de quantos estão à sua volta.

Havia muito o padre Gabriel, um dos santos desse eremitério, cobiçava certa mulher de Menerbe, cujo marido, um rematado corno, chamava-se Rodin. A mulher dele era uma moreninha, de vinte e oito anos, olhar leviano e nádegas roliças, a qual parecia constituir em todos os aspectos lauto banquete para um monge.

No que tange ao Sr. Rodin, este era homem bom, aumentando o seu patrimônio sem dizer nada a ninguém: havia sido negociante de panos, magistrado, e era, pois, o que se poderia chamar um burguês honesto; contudo, não muito seguro das virtudes de sua cara-metade, era ele sagaz o bastante para saber que o verdadeiro modo de se opor às enormes protuberâncias que ornam a cabeça de um marido é dar mostras de não desconfiar de os estar usando; estudara para tornar-se padre, falava latim como Cícero, e jogava bem amiúde o jogo de damas com o padre Gabriel que, cortejador astuto e amável, sabia que é preciso adular um pouco o marido de cuja mulher se deseja possuir.

Era um verdadeiro modelo dos filhos de Elias, esse padre Gabriel: dir-se-ia que toda a raça humana podia tranqüilamente contar com ele para multiplicar-se; um legítimo fazedor de filhos, espadaúdo, cintura de uma alna (1), rosto perverso e trigueiro, sobrancelhas como as de Júpiter, tendo seis pés de altura e aquilo que é a característica principal de um carmelita, feito, conforme se diz, segundo os moldes dos mais belos jumentos da província. A que mulher um libertino assim não haveria de agradar soberbamente?

Desse modo, esse homem se prestava de maneira extraordinária aos propósitos da Sra. Rodin, que estava muito longe de encontrar tão sublimes qualidades no bom senhor que os pais lhe haviam dado por esposo. Conforme já dissemos, o Sr. Rodin parecia fazer vistas grossas a tudo, sem ser, por isso, menos ciumento, nada dizendo, mas ficando por ali, e fazendo isso nas diversas vezes em que o queriam bem longe.

Entretanto, a ocasião era boa. A ingênua Rodin simplesmente havia dito a seu amante que apenas aguardava o momento para corresponder aos desejos que lhe pareciam fortes demais para que continuasse a opor-lhes resistência, e padre Gabriel, por seu turno, fizera com que a Sra. Rodin percebesse que ele estava pronto a satisfazê-la...Além disso, num breve momento em que Rodin fora obrigado a sair, Gabriel mostrara à sua encantadora amante uma dessas coisas que fazem com que uma mulher se decida, por mais que hesite... Só faltava, portanto, a ocasião.

Num dia em que Rodin saiu para almoçar com seu amigo de Saint-Hilaire, com a idéia de o convidar para uma caçada, e depois de ter esvaziado algumas garrafas de vinho de Lanerte, Gabriel imaginou encontrar na circunstância o instante propício à realização dos seus desejos.

- Oh, por Deus, senhor magistrado, - diz o monge ao amigo - como estou contente de vos ver hoje! Não poderíeis ter vindo num momento mais oportuno do que este; ando às voltas comum caso da maior importância, no qual haveríeis de ser a mim de serventia sem par.

- Do que se trata padre?

- Conheceis Renoult, de nossa cidade.

- Renoult, o chapeleiro.

- Precisamente.

- E então?

- Pois bem, esse patife me deve cem écus(2), e acabo de saber que ele se acha às portas da falência; talvez agora, enquanto vos falo, ele já tenha abandonado o Condado... Preciso muitíssimo correr até lá, mas não posso fazê-lo.

- O que vos impede?

- Minha missa, por Deus! A missa que devo celebrar; antes a missa fosse para o diabo, e os cem écus voltassem para o meu bolso.

- Não compreendo: não vos podem fazer um favor?

- Oh, na verdade sim, um favor! Somos três aqui; se não celebrarmos todos os dias três missas, o superior, que nunca as celebra, nos denunciaria à Roma; mas existe um meio de me ajudardes, meu caro; vede se podeis fazê-lo; só depende de vós.

- Por Deus! De bom grado! Do que se trata?

- Estou sozinho aqui com o sacristão; as duas primeiras missas foram celebradas, nossos monges já saíram, ninguém suspeitará do ardil; os fiéis serão poucos, alguns camponeses, e quando muito, talvez, essa senhorazinha tão devota que mora no castelo de... A meia légua daqui; criatura angelical que, à força da austeridade, julga poder reparar todas as estroinices do marido; creio que me dissestes que estudastes para ser padre.

- Certamente.

- Pois bem, deveis ter aprendido a rezar a missa.

- Faço-o como um arcebispo.

- Ó meu caro e bom amigo! - prossegue Gabriel lançando-se ao pescoço de Rodin - são dez horas agora; por Deus, vesti meu hábito, esperai soar a décima primeira hora; então celebrai a missa, suplico-vos; nosso irmão sacristão é um bom diabo, e nunca nos trairá; àqueles que julgarem não me reconhecer, dir-lhes-emos que é um novo monge, quanto aos outros, os deixaremos em erro; correrei ao encontro de Renoult, esse velhaco, darei cabo dele ou recuperarei meu dinheiro, estando de volta em duas horas. O senhor me aguardará, ordenará que grelhem os linguados, preparem os ovos e busquem o vinho; na volta, almoçaremos, e a caça... Sim, meu amigo, a caça, creio que há de ser boa dessa vez: segundo se disse, viu-se pelas redondezas um animal de chifres, por Deus! Quero que o agarremos, ainda que tenhamos de nos defender de vinte processos do senhor da região!

- Vosso plano é bom - diz Rodin - e, para vos fazer um favor, não há, decerto, nada que eu não faça; contudo, não haveria pecado nisso?

- Quanto a pecados, meu amigo, nada direi; haveria algum, talvez, em executar-se mal a coisa; porém, ao fazer isso sem que se esteja investido de poderes para tanto, tudo o que dissentes e nada são a mesma coisa. Acreditai em mim; sou casuísta, não há em tal conduta o que se possa chamar pecado venial.

- Mas seria preciso repetir a liturgia?

- E como não? Essas palavras são virtuosas apenas em nossa boca, mas também esta é virtuosa em nós... Reparai, meu amigo, que se eu pronunciasse tais palavras deitado em cima de vossa mulher, ainda assim eu havia de metamorfosear em deus o templo onde sacrificais... Não, não, meu caro; só nós possuímos a virtude da transubstanciação; pronunciaríeis vinte mil vezes as palavras, e nunca faríeis descer algo dos céus; ademais, bem amiúde conosco a cerimônia fracassa por completo; e, aqui, é a fé que faz tudo; com um pouco de fé transportaríamos montanhas, vós sabeis, Jesus Cristo o disse, mas quem não tem fé nada faz... eu, por exemplo, se nas vezes em que realizo a cerimônia penso mais nas moças ou nas mulheres da assembléia do que no diabo dessa folha de pão que revolvo em meus dedos, acreditais que faço algo acontecer? Seria mais fácil eu crer no Alcorão que enfiar isso na minha cabeça. Vossa missa será, portanto, quase tão boa quanto a minha; assim, meu caro, agi sem escrúpulo, e, sobretudo, tende coragem.

- Pelos céus, - diz Rodin - é que tenho uma fome devoradora! Ainda faltam duas horas para o almoço!

- E o que vos impede de comer um pouco? Aqui tendes alguma coisa.

- E a tal missa que é preciso celebrar?

- Por Deus! O que há de mal nisso? Acreditais que Deus se há de macular mais caindo numa barriga cheia em vez de numa vazia? O diabo me carregue se não é a mesma coisa a comida estar em cima ou embaixo! Meu caro, se eu dissesse em Roma todas as vezes que almoço antes de celebrar minha missa, passaria minha vida na estrada. Além disso, não sois padre, nossas regras não vos podem constranger; ireis tão-somente dar certa imagem da missa, não ireis celebrá-la; conseqüentemente, podereis fazer tudo o que quiserdes antes ou depois, inclusive beijar vossa mulher, caso ela aqui estivesse; não se trata de agir como eu; não é celebrar, nem consumar o sacrifício.

- Prossigamos - diz Rodin - hei de fazê-lo, Podeis ficar tranqüilo.

- Bem - diz Gabriel, dando uma escapadela, depois de fazer boas recomendações do amigo ao sacristão... - contai comigo, meu caro; antes de duas horas estarei aqui - e, satisfeito, o monge vai embora.

Não é difícil imaginar que ele chega apressado à casa da mulher do magistrado; que ela se admira de vê-lo, julgando-o em companhia de seu marido; que ela lhe pergunta a razão de visita tão imprevista.

- Apressemo-nos, minha cara - diz o monge, esbaforido - apressemo-nos! Temos para nós apenas um instante... Um copo de vinho, e mãos à obra!

- Mas, e quanto a meu marido?

- Ele celebra a missa.

- Celebra a missa?

- Pelo sangue de Cristo, sim, mimosa - responde o carmelita, atirando a Sra. Rodin ao leito - sim, alma pura, fiz de seu marido um padre, e, enquanto o farsante celebra um mistério divino, apressemo-nos em levar a cabo um profano...

O monge era vigoroso; a uma mulher, era difícil opor-se-lhe quando ele a agarrava: suas razões, por sinal, eram tão convincentes...

Ele se põe a persuadir a Sra. Rodin, e, não se cansando de fazê-lo a uma jovem lasciva de vinte e oito anos, com um temperamento típico da gente de Provença, repete algumas vezes suas demonstrações.

- Mas, meu anjo - diz, enfim, a beldade, perfeitamente persuadida - sabeis que se esgota o tempo... Devemos nos separar: se nossos prazeres devem durar apenas o tempo de uma missa, talvez ele já esteja há muito no ite missa est.

 - Não, não, minha querida - diz o carmelita, apresentando outro argumento a Sra. Rodin -, deixai estar, meu coração, temos todo o tempo do mundo! Uma vez mais, minha cara amiga, uma vez mais! Esses noviços não vão tão rápido quanto nós... Uma vez mais, vos peço! Apostaria que o corno ainda não ergueu a hóstia consagrada.

Todavia, mister foi que se despedissem, não sem promessas de se reverem; tracejaram novos ardis, e Gabriel foi encontrar-se com Rodin; este havia celebrado a missa tão bem quanto um bispo.

- Apenas o quod aures - diz ele - embaraçou-me um pouco; eu queria comer em vez de beber, mas o sacristão fez com que eu me recompusesse; e quanto aos cem écus , padre?

- Recuperei-os, meu filho; o patife quis resistir, peguei de um forcado, dei-lhe umas pauladas, juro-vos, na cabeça e noutras partes.

Entretanto, a diversão termina; nossos dois amigos vão à caça e, ao regressar, Rodin conta à sua mulher o favor que prestou a Gabriel.

- Celebrei a missa - dizia o grande tolo, rindo com todas as forças - sim, pelo corpo de Cristo! Eu celebrava a missa como um verdadeiro vigário, enquanto nosso amigo media as espáduas de Renoult com um forcado... Ele dava com a vara; que dizeis disso, minha vida? Colocava galhos na fronte; ah! Boa e querida mãezinha! Como essa história é engraçada, e como os cornos me fazem rir! E vós, minha amiga, o que fazíeis enquanto eu celebrava a missa?

- Ah! Meu amigo - responde a mulher - parecia inspiração dos céus! Observai de que modo nos ocupavam de todo, a um e a outro, as coisas do céu, sem que disso suspeitássemos; enquanto celebráveis a missa, eu entoava essa bela oração que a Virgem dirige a Gabriel quando este fora anunciar-lhe que ela ficaria grávida pela intervenção do Espírito Santo. Assim seja, meu amigo! Seremos salvos, com toda certeza, enquanto ações tão boas nos ocuparem a ambos ao mesmo tempo.
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SADE, Marquês de - Contos Libertinos

(1) Antiga medida de comprimento de três palmos; (2) Antiga moeda francesa.

Os centauros

Caetano Veloso - 1968
Fala-se em "Poder Jovem", na "Jovem Revolução" e um padre de passeata, em seu veemente sermão, chamou Nossa Senhora de "a mãe do Jovem Salvador". Vejam: — é tão importante ser jovem que já se providenciou uma idade promocional para Jesus. Há também os que proclamam a razão da idade. Nada tenho a objetar. Que seja dado o poder aos jovens, e que eles o exerçam, e que façam o mundo à sua imagem e semelhança.

A meu ver, porém, chegou a hora de se falar também da "jovem obtusidade". Que ela existe como uma realidade concreta, que se pode apalpar, farejar, não há dúvida. Basta olhar e faremos a singela, a tranqüila constatação visual. Se me pedirem fatos, eu direi: — "Vamos aos fatos".

Sábado, fiquei em casa. Fazia um frio cadavérico. Tenho um amigo que se refere ao frio em termos de "julgamento moral". Quando a aragem vai gelando os edifícios e as esquinas, ele põe-se a esbravejar:

— "Ah, frio canalha! Ah, frio indecente!".

Para a sua indignação, o frio era "torpe", era "obsceno", era "sórdido".

Sábado, tive também vontade de xingar o frio dessa forma direta, pessoal e crudelíssima. Fiquei vendo televisão, com três suéteres. Ia passar o teipe do Festival da Canção. Não sei se não teria preferido um bangue-bangue.

Mas, vamos lá. Começa o festival com uma panorâmica da platéia. Verificou-se, ao primeiro olhar, que todo mundo lá era jovem. Só rapazes, só mocinhas. É apavorante. No passado ocorria o inverso: — o Brasil era uma paisagem de velhos. Nos bondes, só os velhos vinham sentados; os jovens ficavam de fora, pendurados no balaústre. E as senhoras grávidas pediam para o filho já nascer setuagenário e de guarda-chuva, como o personagem de Gogol.

Hoje, o velho tem vergonha de o ser. O padre de passeata precisa fazer uma plástica em Jesus e remoçá-lo (talvez assim o Salvador se salve, sobreviva etc. etc.). Mas, como ia dizendo: — não havia na platéia um sujeito de meia-idade, uma viúva, ou, como quer a gíria perversa, um coroa. Uma platéia sem coroa e ocupada por uma mocidade ululante e salubérrima. Imaginei que estaria, ali, a melhor juventude paulista.

E era de um óbvio escandaloso a politização dos presentes. Sempre que uma letra fazia uma insinuação política, ou tinha um arroubo ideológico, ou rosnava para os Estados Unidos — a audiência vinha abaixo. Que pasionarias eram as meninas! Lembro-me de uma que assim se manifestava: — tirando os sapatos e batendo com os saltos, um no outro. Ninguém sabia se estava aplaudindo ou vaiando.

Ah, os rapazes, os rapazes! Cavalgavam as cadeiras e atiravam patadas como rútilos centauros.

Mas todas essas impressões paisagísticas são secundárias, irrelevantes. De um altíssimo patético foi a aparição do sr. Caetano Veloso. Ah, esquecia-me de Vandré. Seus versos tinham o seguinte título, de uma malícia ou, melhor dizendo, de uma ironia finíssima: — "Pra não dizer que não falei de flores". E, realmente, para nosso pasmo, ele faz um artigo de fundo contra as flores. Até hoje ainda não sei o que é que o nosso libertário propõe.

Vejamos algumas hipóteses: — quererá ele dizer que a "Grande Revolução" vai acabar com as flores? Ou que só a burguesia mais reacionária aprecia as rosas e, por carambola, a beleza? E que o revolucionário é tão obtuso, tão bestial, tão abjeto que não pode ver uma flor sem chutá-la?

Sim, há várias metáforas no editorial do Vandré e todas absolutamente inescrutáveis. Só uma coisa é certa: — sem que o próprio autor o perceba, tais metáforas são absolutamente contra-revolucionárias.

Mas vejamos o sr. Caetano Veloso. A vaia selvagem com que o receberam já me deu uma certa náusea de ser brasileiro. Dirão os idiotas da objetividade que ele estava de salto alto, plumas, peruca, batom etc. etc. Era um artista. De peruca ou não, era um artista. De plumas, mas artista. De salto alto, mas artista. E foi uma monstruosa vaia.

A menina, já citada, batia com os saltos dos sapatos, em delírio. Mas era um concorrente que vinha, ali, cantar; simplesmente cantar.

Mas os jovens centauros não deixaram. Na minha casa, lembrei-me de uma velha solenidade nazista: — a queima de livros. Imaginei que, a qualquer momento, a guarda vermelha ia subir ao palco para queimar o próprio Caetano Veloso. Não me admiraria nada que, no futuro, os nossos jovens socialistas queimem poetas no meio da rua.

Mas estou aqui fazendo uma defesa inútil de Caetano Veloso. Ninguém reage melhor do que ele mesmo. Quis cantar e esmagaram seu canto. A massa coral repetia, em furiosa cadência, uma obscenidade espantosa. Era o massacre de um artista, um desesperado artista que se propunha a cantar o "É proibido proibir".

A canção era a flor que o nosso Vandré quer expulsar do seu horrendo paraíso socialista. Já nenhum telespectador suportava mais a humilhação, que se transferia para as casas. (E a jovem massa insistia no refrão torpe).

Súbito, os brios de Caetano Veloso se eriçaram mais que as cerdas bravas do javali. Ele começou a falar. Era um contra 1500. E um que dizia a sua feroz mensagem nos trajes mais impróprios para o seu rompante.

Sim, estava de peruca, plumas, batom, salto alto etc. E disse as verdades que estavam mudas, sim, as verdades que precisavam ser ditas — urgentes, inadiáveis e santas verdades. Ainda bem que milhões de telespectadores as ouviram. Se bem me lembro, eis as suas palavras:

— "É isso a juventude? E vocês são políticos? Querem o poder! Vocês não sabem nada, não entendem nada! Analfabetos em política e arte! Se entendem de política como entendem de música, desgraçado Brasil!".

Não me lembro de tudo. Houve um momento em que Caetano Veloso comparou, e com exemplar justiça, as duas vergonhas: — a vaia obscena e a invasão do Teatro Ruth Escobar.

Naquela ocasião, depois do espetáculo de Roda viva, uns quarenta bandidos espancaram o elenco. Havia uma atriz grávida, que gritou: — "Estou grávida!". Levou um chute na barriga. Foi pisada como uma flor do nosso Vandré.

E dizia Caetano Veloso:

— "Vocês não são melhores! São iguaizinhos!".

Os idiotas da objetividade hão de perguntar:

— "E a peruca? E as plumas? E o batom? E o salto alto?".

Eu responderia que qualquer um pode ter uma indignação à Zola. Quando morreu o autor de Germinal, disse alguém, à beira do túmulo:

— "Zola foi um momento da consciência humana".

No teipe de sábado tivemos, pela fúria de Caetano Veloso, um momento da consciência brasileira. E vimos como a sua implacável lucidez acuou e bateu a "jovem obtusidade".

[26/9/1968] 
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A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues; seleção de Ruy Castro. — São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

El arzobispo de la revolución

Quando era crítico teatral, Paulo Francis disse certa vez: — "O hospital é mais importante do que o teatro". Não me lembro se escreveu exatamente assim, mas o sentido era este. E o articulista tinha a ênfase, a certeza de quem anuncia uma verdade inapelável e eterna.

Ao acabar o texto, voltei à frase e a reli: — "O hospital é mais importante do que o teatro".

Fiz para mim mesmo a pergunta: — "Será?".

Já me pareceu imprudente que se comparassem funções e finalidades diferentes. Para que serve um teatro e para que serve um hospital? Por outro lado, não vejo como um crítico de teatro, no gozo de plena saúde, possa preferir uma boa rede hospitalar às obras completas de William Shakespeare.

De mais a mais, o teatro era, na pior das hipóteses, o seu ganha-pão. Imaginem um médico que, de repente, no meio de uma operação, começasse a berrar: — "Viva o teatro e abaixo o hospital!".

A mim, parecem gêmeas as duas contradições: — de um lado, o crítico que prefere o hospital; de outro lado, o cirurgião que prefere o teatro. É óbvio que a importância das coisas depende de nós.

Se somos doentes, o hospital está acima de tudo e de todos; caso contrário, um filme de mocinho, ou uma Vida de Cristo ali no República, ou uma burleta de Freire Júnior, é uma delícia total. Mas volto ao Paulo Francis.

Alguém que lesse o artigo citado havia de pensar: — "Bem. Esse crítico deve estar no fundo da cama, moribundo, já com a dispnéia pré-agônica. E, por isso, prefere o hospital". Engano. Repito que, ao escrever aquilo, Paulo Francis nadava em saúde. E por que o disse?

O leitor, em sua espessa ingenuidade, não imagina, como nós, intelectuais, precisamos de poses. Cada frase nossa, ou gesto, ou palavrão é uma pose e, diria mesmo, um quadro plástico.

Ah,as nossas posturas ideológicas, literárias, éticas etc. etc. Agimos e reagimos de acordo com os fatos do mundo. Se há o Vietnã nós somos vietcongs; mas se a Rússia invade a Tchecoslováquia, vestimos a pose tcheca mais agressiva. E as variações do nosso histrionismo chegam ao infinito.

Imagino que, ao desdenhar do teatro, o Paulo estivesse fazendo apenas uma pose.

Bem. Fiz as divagações acima para chegar ao nosso d. Hélder. Está aqui na minha mesa um jornal colombiano. É um tablóide que... Um momento. Antes de prosseguir, preciso dizer duas palavras.

Domingo, na TV Globo, o Augusto Melo Pinto chamou-me num canto e cochichou:

— "Você precisa parar com o d. Hélder".

Faço um espanto: — "Por quê?".

E ele: — "Você está insistindo demais". Pausa e completa: — "Você acaba fazendo de d. Hélder uma vítima".

Disse-lhe da boca para fora: — "Você tem razão, Gugu". E paramos por aí. Mas eis a verdade: — o meu amigo não tem nenhuma razão. Gugu inverte as posições. Se há uma vítima, entre mim e d. Hélder, sou eu.

Outrora, Victor Hugo vivia bramando: — "Ele! Sempre ele!". Falava de Napoleão, o Grande, que não lhe saía da cabeça. Com todo o universo nas suas barbas a inspirá-lo, Hugo só via na sua frente o imperador. Bem sei que não sou Hugo, nem d. Hélder, Bonaparte. Mas eu podia gemer como o autor de Os miseráveis: — "Ele! Sempre ele!". Realmente, sou um território solidamente ocupado pelo querido padre.

Dia após dia, noite após noite, ele obstrui, engarrafa todos os meus caminhos de cronista. É, sem nenhum favor, uma presença obsessiva, sim, uma presença devoradora.

Ainda ontem, aconteceu-me uma impressionante. Tarde da noite, estava eu acordado. Ai de mim, ai de mim! Sofro de insônias. Graças a Deus, me dou bem com as minhas insônias e repito: — nós nos suportamos com uma paciência recíproca e quase doce. Mas não conseguia dormir e levantei-me. Fui procurar uma leitura. Procura daqui, dali e acabei apanhando um número de Manchete.

E quem havia de brotar, da imagem e do texto? O nosso arcebispo. Quatro páginas de d. Hélder! E, súbito, minha insônia foi ocupada pela sua figura e pela sua mensagem. Primeiro, entretive-me em vê-lo; em seguida passei à leitura. E há um momento em que o arcebispo diz, por outras palavras, o seguinte: — o mundo pensa que o importante é uma possível guerra entre Leste e Oeste. E d. Hélder acha uma graça compassiva em nossa infinita obtusidade.

Se a Rússia e os Estados Unidos se engalfinharem; se as bombas de cobalto caírem nos nossos telhados ou, diretamente, em nossas cabeças; se a OTAN começar a disparar foguetes como um Tom Mix atômico — ninguém se assuste. O perigo não está aí. Não. O perigo está no subdesenvolvimento.

Leio a fala de d. Hélder e a releio. Eis a minha impressão: — esse desdém pelas armas atômicas não me parece original. Sim, não me parece inédito.

E, súbito, um nome e, mais do que um nome, uma barriga me ocorre: — Mao Tsé-tung. Certa vez, Mao Tsé-tung chamou liricamente a bomba atômica de "tigre de papel". Foi uma imagem engenhosa e até delicada. E vem d. Hélder e, pela Manchete, diz, por outras palavras, a mesmíssima coisa.

O homem pode esquecer o seu pueril terror atômico. Quem o diz é o arcebispo e ele sabe o que diz.

Mas objetará o leitor: — e aquela ilha em que a criança é cancerosa antes de nascer? Exato, exato. Vejam bem o milagre: — ainda não nasceu e já tem o câncer. O leitor, que é um piegas, perguntará por essas crianças. Mas ninguém se aflija, ninguém se preocupe. A guerra nuclear não importa.

Eis o que eu não disse ao Gugu: — como esquecer uma figura que diz coisas tão corajosas, inteligentes, exatas, coisas que só ele, ou Mao Tsé-tung, ousaria dizer? Sabemos que o ser humano não diz tudo.

Jorge Amado tem uma personagem que vive puxando barbantes imaginários que a enrolam. Os nossos limites morais, espirituais, humanos, ou que outro nome tenham, os nossos limites são esses barbantes. Há coisas que o homem não diz, e há coisas que o homem não faz. Mas deixemos os atos e fiquemos nas palavras. O que me espanta é a coragem que leva d. Hélder a dizer tanto. Há um élan demoníaco nessa capacidade de falar demais. Continuemos, continuemos.

No dia seguinte, veio o "Marinheiro Sueco" trazer-me, em mão, um jornal colombiano. E, novamente, agora em castelhano, aparecia d. Hélder. Ele começava na manchete: — "EL ARZOBISPO DE LA REVOLUCIÓN". Em seguida, outra manchete, com a declaração do arzobispo: — "ES MÁS IMPORTANTE FORMAR UN SINDICATO DO QUE CONSTRUIR UN TEMPLO".

Eis o que eu gostaria de notar: — na "Grande Revolução", os russos substituíam, nos vitrais, o rosto da Virgem Maria por um focinho de vaca. Jesus tinha a cara de boi, com as ventas enormes. Mas a "Grande Revolução" se fez contra Deus, contra a Virgem, contra o Sobrenatural etc. etc. e, como se verificaria em seguida, contra o Homem. Portanto, ela podia incluir Jesus, os santos, num elenco misto de bois e vacas.

Mas um católico não pode agredir a Igreja com esta manchete: — "Es Más Importante Formar un Sindicato que Construir un Templo". E se o nosso Hélder o diz, estejamos certos:

— é um ex-católico e, pior, um anticatólico.

[25/9/1968] 
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A Cabra Vadia: novas confissões / Nelson Rodrigues; seleção de Ruy Castro. — São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

A vaca

Não foi muito longe não, foi na Avenida das Bandeiras — que é ali beirando a variante. Personagem : Uma vaca! A dita personagem vinha caminhando pela beira da Avenida das Bandeiras, com aquela dignidade que só as vacas têm, quando — súbito — resolveu atravessar para o outro lado. E vocês sabem como vaca é. Cismou e atravessou mesmo.

Vinha um caminhão disparado e não teve tempo de frear. Aí foi aquele acidente horrível. O caminhão pegou a vaca pelo meio e encaçapou-a legal, matando ali mesmo. O noticiário não explica se a coitada ficou em decúbito dorsal ou decúbito ventral, mas que morreu, lá isso morreu.

O caminhão deu no pé e nem prestou atenção; caminhão mata gente e não pára, vai travar por causa de vaca!

Aconteceu, porém, o que ninguém esperava. Um — com desculpa da má palavra — pedestre que a tudo assistira, em vez de ficar na moita e resolver o seu problema sozinho, saiu gritando pela aí:

— Tem uma vaca morta na estrada! Tem uma vaca morta na estrada!

No grito, a turma ouviu e só pensou em chã-de-dentro, alcatra, mocotó, filé. Alguns, mais requintados, na voz de vaca morta, passaram a entrever dobradinhas à moda do Porto, iscas de fígado à lisboeta, rabada com polenta, filé à Osvaldo Aranha (ou mesmo filé ao outro... Chateaubriand). Enfim, foi aquela ignorância.

O povo muniu-se de facas, machadinhas, canivetes e até tesouras de unhas para retalhar a falecida, na ânsia de melhorar o ragu. Os mais fortes conseguiram o lado bom da vaca, onde mora o mignon. Os mais fracos, ainda que intimidados, pegaram o miolo (miolo de vaca é como o de cronista menor, não tem muito proveito), outros franzinos levaram os rins, e assim por diante.

Dizem técnicos em talho que do boi só não se aproveita o suspiro, porque até a sua vergonha serve para adubar canteiros. Pois com a vaca atropelada foi pior.

Depois que acabou o pega, os que não tiveram vez chegaram de mansinho e repartiram os ossos, porque uma sopa razoável, hoje em dia", está custando mais caro do que prato feito reforçado em botequim de operário.

Dizem que o Sindicato dos Urubus vai protestar junto ao Dr. J. Karne e impetrar mandado de segurança.

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Fonte: Tia Zulmira e Eu  - Stanislaw Ponte Preta - 6.ª edição - Ilustrado por Jaguar - EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.

O velho processo

Diz que na Itália está uma fofoca danada. Depois de tantos anos, volta a Igreja a ser contra a ciência, achando que o progresso desta é uma ofensa ao Altíssimo. É uma briga velha, que fez muito sábio da antigüidade virar churrasco na mão do padre.

Agora é por causa do cientista italiano que conseguiu fecundar um óvulo humano em tubo de ensaios. A "Pretapress", num de seus despachos desta semana, já noticiou o fato. O órgão do Vaticano "Osservatore delia Domenica" espinafrou o cientista Dianeli Petrucci, que foi quem conseguiu isolar o óvulo e fazer nele uma inseminação artificial, acusando o distinto de trair as Leis que o Criador colocou na natureza em geral e no homem em particular.

E com grande sucesso — acrescentamos nós, que nada temos com a briga e estamos aqui somente para relatar. Se entramos na coisa foi sem querer, como Pilatos no "Credo" ou Al Neto na imprensa.

Dianeli Petrucci, logo que foram publicadas as espinafrações ao seu trabalho de laboratório, onde, inclusive, dizia-se que o  embrião humano pode ter alma desde o momento de sua concepção, concedeu entrevista aos jornalistas que foram ouvir sua opinião a respeito das restrições, todos doidos para uma fofoca. O cientista decepcionou os repórteres, ao explicar que não tomaria conhecimento de nada e continuaria o seu trabalho.

Agora, você aí, sente o drama, vá! Já tinham inventado a tal de inseminação artificial, que era um desperdício bárbaro, e eis que neste momento um sábio trabalha com afinco para firmar a geração de chocadeira, digna substituição da atual geração Mustafá, que tem pai e mãe mas ninguém diz. Parecem todos de chocadeira também.

O que nos consolou nisto tudo foi a opinião do abominável Primo Altamirando. O nefando parente é um chato, mas tem um certo equilíbrio nas suas observações.

Quando lhe mostramos o noticiário sobre o que está se passando na Itália, ele leu com ar desinteressado e depois perguntou:

— Que é que tem isso?

— Que é que tem? — repetimos. — Ora, Mirinho. A humanidade é preguiçosa. Se esse italiano descobre um método de fabricar crianças em laboratório, vai ser chato.

Altamirando deu uma gargalhada e nos acalmou com esta oportuna observação:

— Não seja trouxa, rapaz. Por mais eficaz que seja o método novo de fazer criança, a turma jamais abandonará o processo antigo.

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Fonte: Tia Zulmira e Eu  - Stanislaw Ponte Preta - 6.ª edição - Ilustrado por Jaguar - EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.

Os brindes

Primeiro foi aquela loja de vender discos lá de Porto Alegre que, na ânsia de passar adiante os LPs encalhados, anunciou o oferecimento de um quilo de feijão para o comprador de cada disco LP candidato eterno à prateleira.

Assim, o povo, que andava doido atrás da semente de faseolácea (é feijão numa apresentação mais puxada para o científico... queiram perdoar), não se incomodou de levar pra casa discos de Pedro Raimundo, Mário Mascarenhas, Dilu Melo etc. etc, contanto que lhe entregassem, em mão, o seu saquinho de feijão.

Agora é um contínuo de repartição que, desesperançado do abono e na certeza de que é difícil arranjar outro emprego nos dias que correm, fez da carestia um bico e está ganhando seu dinheirinho. O distinto levanta de madrugada, vai pra fila da carne e aguarda a sua vez. Como é dos primeiros na fila, consegue um quilo razoavelmente medido, quilo de carne este que leva para a repartição e rifa, na base de 10 pratas o bilhetinho de 001 a 100.

No fim da tarde, com os colegas todos torcendo em volta, faz o sorteio. O premiado leva um quilo de carne pra casa por 10 cruzeiros — preço ao alcance de todas as bolsas — enquanto o contínuo-açougueiro-banqueiro fica com uma abóbora de mil, pelo expediente.

Bem diz Tia Zulmira — prenhe de saber e transbordante de experiência — "quem se vira, se inspira". É um fato. A loja de discos aproveitou a falta de feijão para se livrar de discos encalhados, o contínuo aproveita a "carnestia" (como tão bem apelidou Primo Altamirando a falta de carne), para ganhar umpouco mais do que o salário ralo.

E a coisa vai pegando, como Deus é servido. Clubes da ZN estão organizando "biriba" aos sábados, para os sócios. Os prêmios lá estão, para quem quiser ver. Ao vencedor, três quilos de filé mignon, ao segundo colocado, três quilos de feijão ao terceiro, um quilo de feijão e outro de alcatra.

A ZS, por enquanto, vai se mantendo a fingir uma dignidade guaia, organizando no Country Club e demais clubes grã-finos seus concursos de "buraco", "biriba" ou "bridge", ofertando aos vencedores inúteis medalhas de ouro, prata ou bronze, que não servem para alimentar mais do que a vaidade.

Mas isto é por enquanto. Chegará o momento em que o alimento do estômago falará mais alto do que o alimento da vaidade, e a grã-finada larga pra lá essa besteira de medalha e adere aos prêmios já em uso na Zona Norte da cidade (residência da saudade — como quer o grande poeta urbano Orestes Barbosa). E nós veremos no Country um pai industrial torcendo para entrar um coringa no jogo da filha, para que ela faça canastra e ganhe um florido buquê de couve-flor.

Sim, irmãos, humânitas precisa comer, como diria o coleguinha Brás Cubas: ao vencedor, as batatas.
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Fonte: Tia Zulmira e Eu  - Stanislaw Ponte Preta - 6.ª edição - Ilustrado por Jaguar - EDITORA CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.A.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Gasolina do ar

Pesquisador da Air Fuel Synthesis observa protótipo
Uma empresa emergente inglesa anunciou ter desenvolvido uma tecnologia que permite produzir combustível a partir de ar e água. Mais precisamente, a partir de hidrogênio e gás carbônico, a substância que costuma ser responsabilizada pelas mudanças climáticas. O produto é o metanol, que pode ser processado para produzir combustíveis usados em motores de automóveis.

O princípio empregado pela Air Fuel Synthesis não é novo, embora nenhum grupo de pesquisas tenha conseguido fazê-lo funcionar de forma viável.

Apesar de estar sendo saudado pela imprensa como "gasolina feita de ar" - o próprio nome da empresa sugere isto - o processo está longe de ser eficiente, e nem mesmo compartilha de total entusiasmo dentro da comunidade científica que busca alternativas ao petróleo que sejam ambientalmente sustentáveis.

O protótipo fabricado pela empresa está em operação desde Agosto.

Funcionando em escala contínua, ele produziu cinco litros de combustível desde então.

O projeto agora é construir um reator maior, capaz de produzir uma tonelada de combustível por dia, o que dependerá de acordos com "potenciais parceiros tecnológicos e investidores", segundo a empresa.

A empresa afirma ser possível construir esse reator em escala piloto dentro de dois anos. Uma refinaria em escala comercial, contudo, deverá levar ainda 15 anos de novas pesquisas e aprimoramentos.

A produção de combustível líquido a partir de hidrogênio e CO2 seria uma alternativa para países sem reservas de petróleo, ainda que, no atual estágio, não seja possível estimar o custo do metanol produzido por essa via.

O avanço técnico alcançado pelos pesquisadores da empresa inglesa é significativo.

Mas algumas ressalvas são importantes justamente porque são resultados anunciados por uma empresa, e estarem sendo repassados pela grande imprensa como se a solução técnica já fosse um produto à disposição dos consumidores.

Fonte: Inovação Tecnológica.

Rastro do Halley cria chuva de meteoros

Imagem em cores falsas mostra meteoro sobre Tullahoma, nos Estados Unidos - Foto: Nasa/Divulgação

Como ocorre nessa época do ano, a Terra passa pelo rastro de um cometa. Os detritos, ao entraram na atmosfera do planeta, causam um espetáculo à parte - a chuva de meteoros oriónidas, que tem seu momento de maior intensidade na madrugada de domingo.

"O pico ocorrerá de sábado para domingo (...) uma coisa interessante é que o cometa cujo rastro causa esse fenômeno é o Halley", afirma o O astrônomo Bruno Mendonça, da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro. O astrônomo diz, contudo, que a chuva deste ano não deve saltar aos olhos - a Nasa afirma que, normalmente, a oriónidas tem cerca de 20 meteoros por hora.

 Mendonça explica que esses fenômenos ocorrem todos os anos e, de tempos em tempos (geralmente, de décadas em décadas) passam por uma chuva de maior intensidade, com frequência de vários meteoros por minuto. Mas não é o caso desta oriónidas.

Quem quiser ver o espetáculo, deverá olhar para a constelação de Órion (as famosas "Três Marias" - as estrelas Mintaka, Alnilan e Alnitaka - ficam no centro da constelação) na madrugada. É possível ver a chuva em grandes e iluminadas cidades, mas em locais com pouca iluminação fica mais fácil ver as estrelas cadentes menos intensas.

Fonte: Correio do Povo - 22/10/2012.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O nutritivo suco de tomate

Com poucas calorias e rico em vitaminas e licopeno – substância antioxidante que age sobre as células do organismo – o suco de tomate é uma boa opção de bebida saudável para acompanhar suas refeições. Abaixo, Elaine Guaraldo, professora do curso de Nutrição da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), responde algumas questões sobre o consumo do alimento.

Quais as vantagens do consumo do suco de tomate? É tão bom quanto outros sucos e melhor que os refrigerantes, por exemplo?

O tomate é uma fruta – que se apresenta em várias cores como amarela, verde, roxa, etc. Mas os frutos vermelhos são os mais conhecidos. É um alimento muito versátil, sendo usado como salada, em molhos, temperos, sucos, entre outros.

A fruta tem baixo valor calórico e de gorduras, é rica em água, em vitamina C e contém ainda folatos, vitamina A, carotenoides, fibras e minerais como potássio e magnésio.

Para fazer uma comparação, um tomate médio cru possui 25 calorias e 23 mg de vitamina C, quantidade que contribui com boa parte do recomendado desta vitamina para adultos.

Em relação ao suco do tomate, temos de considerar a forma de preparo dele e os ingredientes adicionados. Se o produto for industrializado, as condições do processamento podem levar a perdas de substancias sensíveis, como, por exemplo, da vitamina C. Outro ponto a ser considerado é que os sucos preparados comercialmente variam nos seus teores nutricionais dependendo dos ingredientes adicionados.

No mercado, observamos desde as marcas feitas apenas com a polpa do fruto até aquelas com adição de condimentos, açúcar e sal, por exemplo. Então o ideal é que se observe bem o rótulo dos produtos, seus ingredientes e a informação nutricional.

Assim, o suco de tomate possui muitas vantagens nutricionais, pois, além da sua composição em vitaminas e minerais, também tem a vantagem de possuir poucas calorias quando comparado a outros sucos. Comparando-se, por exemplo, ao suco de laranja, um copo de 200 ml possui 66 calorias, enquanto o de tomate possui apenas 30 calorias, nesta mesma quantidade.

Já os refrigerantes comuns perdem tanto em relação às suas calorias quanto às outras substâncias nutritivas que estão ausentes neste tipo de bebida, constituído na maioria por água, gás e açúcar. Portanto, a superioridade dos sucos é evidente.

Que substâncias do suco de tomate fazem bem para a saúde?

O tomate in natura possui carotenoides e, dentre esses, temos o licopeno, que é responsável pela cor vermelha do tomate assim como de outros alimentos que o contêm, a exemplo da melancia e da goiaba.

Mas a maior parte do licopeno que consumimos vem do tomate e seus produtos em função da grande variedade de produtos derivados deste alimento e que estão presentes em nosso dia a dia.

O licopeno, que funciona como um poderoso antioxidante, agindo na neutralização dos radicais livres, protege as células contra danos oxidativos. Por isso, tem sido muito pesquisado em relação aos efeitos benéficos à saúde que apontam a substância como importante na redução de riscos cardiovasculares e em alguns tipos de câncer, como o de próstata.

As quantidades de licopeno do alimento dependem da maturação, do clima, da variedade, do armazenamento, além do tipo de processamento do alimento. Assim, o cozimento parece não destruir a substância e, ao contrário, a ação de calor e da presença de pequenas quantidades de gordura, melhora a disponibilidade e absorção da substância no organismo humano.

O suco de tomate é um alimento que pode substituir uma porção de legume ou frutas, por exemplo?

De uma maneira geral, meio copo de suco de tomate (100 ml) substitui 1 porção de outros legumes, em relação a calorias. Mas é preciso ressaltar que o suco conterá menor quantidade de fibras que um legume fresco, pode ter menor quantidade de vitamina C e a quantidade de sódio pode ser maior dependendo dos ingredientes que são adicionados. Então, se quiser consumir um produto industrializado, olhe bem o rótulo.

Pode-se consumir o suco de tomate  junto com as refeições?

Sim, pode. Se pensarmos somente na quantidade do licopeno presente no suco de tomate, temos de lembrar que gorduras presentes nas outras preparações influenciam a absorção desta substância no organismo. Outra dica para aproveitar melhor o licopeno do suco é fazê-lo com a polpa cozida e com pequena quantidade de óleo ou azeite.

Fonte: O que eu tenho?
Texto: Enio Rodrigo

Queijo ralado tem alto teor de sódio


Entre os 500 produtos de 26 tipos diferentes analisados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o queijo parmesão ralado foi o que apresentou maior valor de sódio: em média 1.981 mg do nutriente a cada 100g do produto. Em segundo lugar, com  teor de sódio de 1.798mg a cada 100g, ficou o macarrão instantâneo.  
 
Apesar de alto, o valor está dentro do acordo fechado em 2011 entre Ministério da Saúde e as associações das indústrias de alimentos para reduzir a quantidade de sódio nesses alimentos. O ajuste prevê o valor máximo de 1.920,7 mg de sódio para cada 100 g de produto. 
 
"O que nos preocupa é que boa parte dos alimentos com alto nível de sal é muito consumido por crianças", diz a gerente-geral de alimentos da Anvisa, Denise de Oliveira Resende.
 
O trabalho foi feito com base na análise de 26 tipos de produtos, como bolachas e frios. Dos grupos analisados, apenas cinco apresentaram níveis do ingrediente considerados adequados.
 
Os dez primeiros produtos na lista, além do queijo ralado e do macarrão, são o queijo parmesão inteiro (i1402mg/100g), a mortadela (1303mg/100g), mortadela de frango (1232mg/100g), maionese (1096mg/100g), biscoito de polvilho (1092mg/100g), salgadinho de Milho (779mg/ 100g), biscoito água e sal (741mg/100g) e hamburguer bovino (701mg/100g). 
 
O excesso de sódio na dieta é considerado fator de risco de problemas como hipertensão e diabete . Por isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o nutriente seja usado com parcimônia: no máximo 2 gramas diárias de sódio, o equivalente a 5 gramas de sal. Para se ter uma ideia, 100 gramas de parmesão conteria a quantidade. O brasileiro consome 12 gramas de sal por dia, mais do que o dobro do recomendado pela OMS. 
 
Redução do sódio
 
A redução programada do sódio é considerada tímida por nutricionistas e entidades ligadas ao direito do consumidor. "Mesmo com a mudança, produtos vão continuar com alto teor de sódio. Em outras palavras: o brasileiro continuará consumindo muito mais do que o recomendado", diz o gerente do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos Tadeu de Oliveira. Ele cita como exemplo o macarrão: "A meta é 1.920 miligramas de sódio. Quase a necessidade de um adulto para o dia todo".
 
Denise afirma que uma redução drástica traria problemas para empresas e afastaria o consumidor. "As pessoas poderiam estranhar o sabor. Além disso, há um problema técnico: o sódio é importante para conservar os alimentos." Pelo cronograma, a partir de 2013 alguns produtos já devem ser comercializados com menos sódio em sua composição. "Pelas análises que fizemos, alguns produtos já apresentam uma média menor do que a foi acordada, como a maionese", afirma Denise. A meta é que o produto tenha, no máximo, 1.283 mg/100g. A média encontrada pela Anvisa está em 1.096.
 
Fiscalização
 
A gerente diz que o controle sobre o cumprimento do acordo começará a ser feito a partir de 2013. "Se números revelarem que a adesão está baixa, não está descartada a possibilidade de criar metas obrigatórias." Para Oliveira, no entanto, medidas mais ousadas poderiam ser adotadas rapidamente. "O acordo tentou abrandar as discussões sobre uma regulamentação mais severa. Autorregulamentação pode ser benéfica, mas os padrões têm de ser adequados."
 
Denise destaca que várias amostras de um mesmo produto apresentam teores diferentes de sódio, como o queijo parmesão: a diferença entre produtos chega a ser de 13,7 vezes. "Daí a importância de a população chegar nos rótulos a composição." Denise afirmou que foram encontrados produtos com teores de sódio distintos da embalagem. As empresas, diz, foram autuadas. Procurada, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) afirmou não conhecer os dados o que a impedia de fazer uma avaliação do trabalho.  
 
Orientação
 
Além de observar o rótulo dos alimentos industrializados, a Anvisa orienta a diminuir gradativamente o uso de sal nos alimentos. A indicação é utilizar outros temperos naturais como ervas aromáticas, alho, cebola, pimenta, limão, vinagre e azeite para temperar e valorizar o sabor natural dos alimentos, evitando o uso excessivo de sal. Também é preciso lembrar que alimentos frescos sempre têm menos sal. Por isso, é necessário equilibrar as refeições com saladas e frutas. 
 
Fonte: Agência Estado / iG

Tipos de pães para a dieta

Comer um pãozinho com manteiga no café da manhã é quase uma tradição para os brasileiros. Mais do que gostosos, os pães são ricos em carboidratos. Esses nutrientes são importantes para o funcionamento de corpo e não devem ficar de fora da dieta sem aconselhamento médico.

Sempre que ingerimos carboidratos, eles entram na corrente sanguínea e são absorvidos em diferentes velocidades, dando energia para o organismo funcionar. Quanto maior a velocidade de absorção de seus carboidratos, maior será o índice glicêmico do alimento.

"Todos os tipos de pão são ótimas fontes de carboidratos, responsáveis por dar energia ao corpo. Mas, como o índice glicêmico de cada tipo pode variar, é importante saber qual é a melhor hora para comer cada tipo", diz o nutricionista e personal trainer Vinicius Oliveira, da Academia Forum Exere Fitness. Cada pão também possui uma quantidade de nutrientes específica. Conheça mais essas variações.

Pão branco (normal)

Também conhecido como pão francês ou pão de sal, o pão branco é o mais consumido pelos brasileiros. Ele é feito com farinha refinada de trigo e é rico em carboidratos e proteínas. Como o índice glicêmico é elevado, o pão branco é usado como padrão para medir a glicose nos alimentos. "Ele é o pão que apresenta o maior índice glicêmico e, por isso, não deve ser consumido antes dos exercícios ou de dormir", diz Vinicius Oliveira.

O hábito de consumi-lo na primeira refeição do dia é bastante saudável, segundo o nutricionista. "Quando acordamos, nosso corpo de uma grande ingestão de energia, já que passou várias horas em jejum. Por isso, o pão branco, que contém mais carboidratos, é o mais indicado", comenta. Após um grande gasto de energia, como depois de uma atividade física, comer um pão branco pode ajudar a recuperar a vitalidade.

Pão integral

O pão integral não é preparado com farinha refinada, o que mantém as quantidades de vitaminas, minerais e fibras dos cereais no pão, tornando-o bastante nutritivo. Mesmo que também tenha carboidratos, as fibras contidas no pão integral desaceleram a absorção de glicemia pelo organismo, o que diminui o índice glicêmico.

"Esse tipo de pão é indicado para antes do treino. Como ele tem grande quantidade de fibras, que fazem o corpo absorver insulina de maneira mais lenta e gradual, garante energia durante todo o treino", explica o nutricionista.

Pão de linhaça

A linhaça é ótima fonte de ômegas 3 e 6, por isso, ela só traz vantagens à sua dieta, além de ser um importante agente antioxidante e renovador celular. Um pão feito dessa sementinha também possui essas caraterísticas. "Ele é rico em fibras e gorduras boas, as insaturadas. Assim, o consumo desse alimento ajuda a melhorar o índice nutricional de nossa alimentação", explica a nutricionista do Dieta e Saúde, Roberta Stella.

De acordo com o nutricionista Vinicius Oliveira, o pão de linhaça, ainda garante ao corpo um aumento de energia e de vitalidade. "A linhaça acelera o metabolismo, o que garante eficácia na produção de energia celular e ajuda a recuperar a fadiga muscular". Por isso ele é uma ótima opção para um lanchinho antes e depois do treino.

Pão de centeio

Esse pão é o campeão no quesito quantidade baixa de gordura. "O pão de centeio é o que contém menos gorduras e proteínas, sendo uma boa opção para quem não quer mais consumir pão branco ou quer ingerir menos gorduras", diz Vinícius Oliveira. Além disso, ele tem praticamente as mesmas fibras que o pão integral, ajudando no processo digestivo. No entanto, esse pão contém mais carboidratos do que os outros tipos.

Pão de Aveia

Rico em ferro, magnésio, zinco, cobre e proteínas, o pão de aveia é bastante indicado para quem tem problemas em controlar a glicemia, já que a aveia é rica em fibras solúveis, principalmente a beta-glucana, que retarda a absorção de glicose e do colesterol, sendo uma sugestão de pão para hipercolesterolêmicos.

Além disso, assim como o pão integral, a grande quantidade de fibras ajuda a abaixar o índice glicêmico, ideal para quem quer fazer um lanchinho antes de alguma atividade física mais demorada.

Pão de milho

O pão de milho, diferente do que é feito de trigo, não perde a casca durante o processo de preparação. Por isso, ele é rico em fibras e minerais, como fósforo, ferro, potássio e zinco. Além desses nutrientes, o pão de milho também é rico em proteínas e vitaminas do complexo B. "Ele é uma importante opção para quem tem doença celíaca, já que o milho não contém glúten", diz o nutricionista Vinicius Oliveira.

Pão australiano

Esse pão, feito de farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, tem uma cor escura, que vem da farinha integral, e um sabor adocicado causado pelo estrato de mel usado durante o preparo. É rico em vitaminas, minerais e fibras provenientes da casca dos grãos de trigo.

Pão Sírio

Também conhecido como pão pita, ele é feito de trigo assim como o pão branco, só que contém menor quantidade de gorduras e de carboidratos. Ele é uma boa opção para quem quer variar a dieta sem aumentar a quantidade de calorias e gorduras ingeridas.

Croissant

Croissant - que quer dizer crescente em francês - é aquele pãozinho em forma de meia-lua, feito com massa folhada e grande estrela do café da manhã dos franceses. Essa opção tem mais gorduras e calorias do que os outros tipos e deve ser consumida com moderação, principalmente as versões recheadas.

Fonte: Minha Vida
Texto: Fernando Menezes

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A lenda do primeiro gaúcho

Século XVIII.

Uma partida de brasileiros atravessa as verdejantes campinas do Rio Grande do Sul. Impulsionados pela necessidade de braços para as lavouras, buscam o índio. Hão de avassalar as tribos ocupantes daquela região. Com esta disposição, viajam bem municiados e armados.

Os índios minuanos, avisados pelas sentinelas da aproximação dos brancos, montam em seus fogosos cavalos e, armados de flecha e boleadeiras e lanças, deixam seu acampamento e rumam para as coxilhas.

Ao avistar os brasileiros se aproximando, os índios usam de sua tática de ocultar-se ao longo do dorso dos cavalos. Destarte, dificilmente seriam descobertos pelos inimigos.

Imóveis, esperam eles o momento azado para atirar-se sobre os viajantes.

Os brasileiros não são conhecedores dos hábitos e da tática empregada pelos índios habitantes das campinas do Sul. E avistando à distância o bando de cavalos pastando, tomam essa direção, muito senhores de si.

Assim, ao se aproximarem os brasileiros, os índios despencam-se nos seus animais do cimo das coxilhas, em galopada, investindo contra os brancos com furiosa saraivadas de flechas. Respondem estes com tiros de armas de fogo. Nova investida dos índios, agora se servindo-se das lanças, obriga os invasores a fugir em desordem.

Caído por terra acha-se um moço ferido. Ao seu lado uma jovem índia minuano. Fascinara-a a coragem do estrangeiro.

O brasileiro sabe da sorte que o espera. E, interrogando a moça quando será sacrificado, responde-lhe esta que nada tema, pois estará a seu lado. Anima-o com palavras confortadoras, cheia de simpatia e compaixão pela sorte do estrangeiro.

O prisioneiro é levado para o acampamento dos minuano. Enquanto esperam que se cure da ferida para sacrificá-lo, dão-lhe toda liberdade sob vigilância das sentinelas.

O jovem branco resolve fazer uma viola. Uma tarde, à sombra de uma árvore, com a pouca ferramenta de que dispõe, a muito custo vai improvisando um rústico instrumento. Inicialmente aparelha, em forma de espessa tábua, uma pau de corticeira. Cava-a dando-lhe a forma de viola. Coloca uma tampa com abertura circular para dar vibração ao som das cordas. Para colar a tampa emprega o grude de parasita sombaré, das árvores da serra. E da própria fibra da parasita ele prepara as cordas para o instrumento.

A índia já lhe tem muita amizade e está sempre ao seu lado nas horas de folga. Enquanto o vê trabalhar, canta-lhe suavemente um canto doce e pitoresco da gente minuana.

Ainda não passara um lua, e já, na grande ocara do acampamento, celebra-se o ritual do sacrifício.

Amarrado a um tronco está o prisioneiro.

Todos os índios da nação, reunidos em volta dele, dançam e cantam a sua morte. De quando em vez, passam, de mão em mão, cuias contendo delicioso vinho fabricado com o mel eiratim.

Há um silêncio de morte em todo o acampamento. O chefe minuano ordena que soltem o prisioneiro e tragam-no à sua presença.

Fitando o moço bem nos olhos, assim fala o cacique:

-Que aos teus irmãos sirva de lição esta última derrota. Que não nos tornem a vir incomodar. Os que vierem nestes campos buscar escravos, hão de ser esmagados pelas patas de nossos cavalos. E tu, pagarás com a morte a tua audácia e a dos teus!

Contudo, o chefe minuano diz ao condenado que faça o seu último pedido.

Surpreende-se o branco com tal gesto. E, dotado de uma inteligência não vulgar, num relance percebe como poderá livrar-se da morte. Sabendo da emotividade e a influência que exerce a música sobre aquelas criaturas, pede que lhe tragam o seu instrumento de cordas. Quer tocar pela última vez. Cantar uma balada de sua terra.

É a jovem índia quem lhe traz a sua viola, debaixo dos olhares curiosos dos índios.

Cheio de fé, o moço pega da viola. Depois de alguns sonoros acordes, entoa uma canção. E o ricto bárbaro daquelas fisionomias rudes transforma-se como por encanto.

Ouve-no com enlevo, exclamando a todo instante: – Gaú-che! Gaú-che!… o que significa: gente que canta triste.

Sensibilizados pela doce cantiga do condenado à morte, os índios intercedem para que o sacrifício seja revogado.

E, assim, o brasileiro fica morando com os minuanos.

Enamorado da jovem índia, casa-se com ela. E dessa bela união, do elemento branco com a indígena, resultou o tipo desse homem extraordinário que se chama gaúcho.

Fonte: Lessa, Barbosa - Antologia ilustrada do folclore brasileiro: Estórias e lendas do Rio Grande do Sul. São Paulo, Editora Literart, 1960

sábado, 13 de outubro de 2012

O mundo não acaba em Teresina

O ex-vigilante Luiz Pereira, 43 anos, foi preso em Teresina, no Piauí, após causar grande tumulto ao prever, e errar, a data do fim do mundo. Pereira acreditava que o mundo acabaria na tarde de sexta-feira 12.

O autointitulado "profeta" criou sua própria religião  e vinha pregando o fim do mundo para 12 de outubro de 2012. Na tarde de ontem, Pereira chegou a reunir mais de 120 seguidores em uma casa na Zona Leste de Teresina para orar e preparar-se para o fim dos tempos. Segundo Pereira, apenas as pessoas que estavam sob sua liderança seriam salvas.

O caso causou indignação entre muitos moradores de Teresina que viram seus parentes alistar-se como fiéis de Pereira. De acordo com a Polícia Militar do Piauí, moradores da capital piauiense ameaçavam invadir a casa onde Pereira reunia seguidores para agredí-lo.

Quando o horário marcado para mundo acabar (17 horas) aproximou-se e nada aconteceu, a multidão ficou enfurecida e tentou invadir o abrigo de Pereira e seus fiéis. A PM afirma que usou bombas de gás de dissipar a multidão e evitar que a turba linchasse o profeta. A própria polícia invadiu a casa, chamada de “arca” onde o profeta estava e o deteve.

De acordo com informações da PM, entre os 120 seguidores estavam mais de uma dezena de menores de idade, que foram levados a um conselho tutelar de crianças e adolescentes em Teresina.

Pereira poderá ser processado por cárcere de menores e por colocar em risco a segurança de seus seguidores.

Fonte: Info Abril

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Josephine Baker, a Peróla Negra

Josephine Baker (Freda Josephine McDonald), cantora, atriz e vedete, nasceu em Saint Louis, Missouri, EUA, em 3 de junho de 1906, e faleceu em Paris, França, em 12 de abril de 1975. Vedete do teatro de revista, Josephine é geralmente considerada como a primeira grande estrela negra das artes cênicas, naturalizada francesa em 1937, e conhecida pelos apelidos de "Vênus Negra", "Pérola Negra" e ainda "Deusa Crioula".

Josephine era filha de Carrie McDonald, e seu pai é incerto. Alguns biógrafos afirmam que seu pai seria Eddie Carson, que foi certamente amante de sua mãe, mas a artista acreditava que seu pai teria sido um homem branco. O pai de Josephine, segundo a biografia oficial, era o ator Eddie Carson. Várias fontes, no entanto, afirmam que seu pai teria sido um vendedor ambulante de jóias.

Baker com a saia de bananas (1926-27)
Começou sua carreira ainda criança, como artista de rua, dançando. Participou de espetáculos de vaudeville de St. Louis Chorus, aos quinze anos de idade. Atuou em Nova York, em alguns espetáculos da Broadway, em 1921 e 1924.

Em 2 de outubro de 1925 estreou em Paris, no Théâtre des Champs-Élysées, fazendo imediato sucesso com sua dança erótica, aparecendo praticamente nua em cena. Graças ao sucesso da sua temporada europeia, rompeu o contrato e voltou para a França, tornando-se a estrela da Folies Bergère.

Suas apresentações ficaram memoráveis, dentre elas uma em que vestia uma saia feita de bananas. Por suas atuações no teatro de revista, foi uma grande concorrente da grande vedete francesa Mistinguett. As duas não se gostavam, mas o charme de Mistinguett estava em sugerir nudez, através de suas belíssimas pernas, ao passo que Josephine ia muito mais longe, em matéria de nudez. Na verdade, eram duas formas de arte diferentes. Mistinguett mais elitista, Josephine mais popular.

Durante a Segunda Guerra Mundial, teve um papel importante na resistência à ocupação, atuando como espiã. Depois da guerra, foi condecorada com a Cruz de Guerra das Forças Armadas Francesas e a Medalha da Resistência. Recebeu também, do presidente Charles de Gaulle, o grau de Cavaleiro da Legião de Honra.

Nos anos 1950, usou sua grande popularidade na luta contra o racismo e pela emancipação dos negros, apoiando o Movimento dos Direitos Civis de Martin Luther King. Baker também trabalhou na National Association for the Advancement of Colored People (NAACP).

Adotou 12 órfãos de várias etnias, aos quais chamava "tribo arco-íris". Eram eles: Janot, coreano; Akio, japonês; Luís, colombiano; Jari, finlandês; Jean-Claude, canadense; Moïse, judeu francês; Brahim, argelino; Marianne, francesa; Koffi, costa-marfinense; Mara, venezuelana; Noël, francês, e Stellina, marroquina.

Tinha uma guepardo de estimação com o nome de Chiquita.

Filmografia

La Sirène des tropiques (1927) ... ou Siren of the Tropics
Zouzou (1934)
Princesse Tam Tam (1935)
Moulin Rouge (1941)
Fausse alerte (1945) ... ou The French Way
An jedem Finger zehn (1954) ... ou Ten on Every Finger
Carosello del varietà (1955)
Grüsse aus Zürich (1963) (TV)

Fonte: Wikipédia

Estrela morrendo é observada por telescópios

Nebulosa da Hélice (Nasa/JPL-Caltech)
Uma estrela anã branca que está morrendo foi detectada em uma imagem combinada dos telescópios Spitzer e Wise, da agência espacial americana (Nasa), e Galaxy Evolution Explorer (Galex), do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), em Pasadena.

O astro, chamado Nebulosa da Hélice ou NGC 7293, expele material cósmico e, em enquanto sua vida termina, tem um brilho potencializado pela intensa radiação ultravioleta do núcleo. O objeto fica a 650 anos-luz da Terra, na Constelação de Aquário.

Os dados infravermelhos do Spitzer aparecem, na foto abaixo, em verde e vermelho na parte central; os do Wise estão em verde e vermelho nas áreas externas; e as informações ultravioleta do Galex são observadas em azul.

O brilhante círculo roxo no centro da imagem é uma combinação de registros do disco de poeira que circula a anã branca. Esse pó foi provavelmente lançado por cometas que sobreviveram à morte de sua estrela original.

A Nebulosa da Hélice é um exemplo típico de nebulosas planetárias, que foram descobertas no século 18 e batizadas assim de forma incorreta, por sua semelhança com planetas gasosos gigantes. Esses corpos celestes são, na verdade, restos de estrelas que um dia se pareceram com o nosso Sol.

Ao longo da vida, astros como esse transformam gás hidrogênio em hélio, em reações de fusão nuclear dentro deles. Esse processo é o mesmo que nos fornece a luz e o calor necessários para a vida na Terra, por exemplo. Assim como a Nebulosa da Hélice, o Sol também deve "agonizar" como uma nebulosa planetária, quando morrer após 5 bilhões de anos.

Assim que o combustível de hidrogênio necessário para a reação se esgota, a estrela usa apenas o hélio como fonte de combustível, queimando-o em uma mistura de carbono, nitrogênio e oxigênio.

Finalmente, o hélio também se esgota e a estrela morre, desprendendo suas camadas gasosas externas. Sobra apenas o núcleo pequeno, denso e quente, chamado de anã branca, que tem mais ou menos o tamanho da Terra, mas uma massa próxima ao da estrela original.

Antes de essa estrela morrer, seus cometas e possivelmente planetas teriam estado em sua órbita de forma ordenada. Quando ela deixou de queimar hidrogênio e explodiu suas camadas exteriores, corpos celestes gelados e planetas externos teriam sido jogados uns contra os outros, levantando uma tempestade de poeira cósmica. Qualquer outro planeta dentro do sistema também teria sido queimado ou engolido durante a evolução do astro.

Fonte: G1 - Ciência Saúde

Facebook atinge 1 bilhão de usuários

A marca mundial foi registrada no mês de setembro. Brasileiros ocupam o segundo lugar na lista de usuários com 54 milhões, atrás apenas dos Estados Unidos

O Facebook, rede social mais utilizada, atingiu um bilhão de contas ativas em 14 de setembro de 2012. O Brasil ocupa o segundo lugar na lista de usuários, com 54 milhões (até o mês de junho), atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 160 milhões.

A marca mundial inédita foi anunciada na quinta-feira (04) no próprio site de relacionamento, pelo fundador Mark Zuckerberg. A publicação destacou, entre outros pontos, que os brasileiros ajudaram bastante a chegar a este impressionante número.

Criada em 2004, a rede social levou seis anos para chegar a meio milhão de usuários, mas apenas dois para dobrar a quantidade de pessoas conectadas. No ano passado, o crescimento total foi de 30%, mas o número de brasileiros aumentou 146%, o maior percentual do mundo.

Desde o lançamento, o Facebook já registrou 1,13 trilhão de ‘curtir’ (recurso criado em 2009) e 219 bilhões de fotos publicadas. Se fosse um país, a rede social seria o terceiro maior do mundo, atrás da China, que tem 1,34 bilhão de habitantes e da Índia, com 1,21 bilhão.

Usuários ativos

O número de um bilhão se refere a usuários ativos, ou seja, internautas que acessaram o Facebook pelo menos uma vez em um período de 30 dias. Na prática, significa que aproximadamente uma em cada sete pessoas no planeta está conectada à rede social.

Fonte: Rank Brasil

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Humor do Sul

O gauchão, passeando no Rio, entra num bar, acomoda-se numa mesa, chama o garçom, faz o pedido e fica se gabando:

- Olha só que bombacha, índio velho. Cento e cinquenta botão. Custou 50 mil. Tô mal de bombacha, hêin?!

O garçom ri amarelo, busca o aperitivo e na volta o gaúcho:

- Olha que bota, tchê! Toda sanfonada. Custou 40 mil. Mal de bota, hêin?!

Puto da cara, o garçom tá que não agüenta mais. Por sorte sua, um colega seu conhece o exibicionista e sabe coisas da família. Chega no gaúcho, pergunta como vai a irmã dele e diz que ela é a maior piranha que já se conheceu.

Feita a sacanagem, o gaúcho continua impávido e, cofiando o bigode, brilha um pouquinho o olho e responde:

- Mas a Lindoca não puteia mais, seu. Virou freira e agora é esposa de Cristo Nosso Senhor.

E arremata:

- Tô mal de cunhado, hêin?!

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Joveniano Centeno era flaco(1) de corpo e largo de alardes.

Num cair de tarde de quase janeiro, apeou na venda do Noquinha e foi molhar a palavra, como era de costume. Pé no cepo, cotovelo na mesa, por lá foi se ficando numa mais outra.

Quando o lusco-fusco já aquietava os cuscos(2), colocou a bota fora do portal e se deparou com o seu cavalo tordilho, pintado de verde. Respirou fundo e entrou na venda, se plantando embaixo do lampião com pose de quero-quero.

- Se tem mãe de respeito, quem fez o desaforo que se apresente - gritou Jovenciano.

Lá do fundo da venda, caminhando devagar como quem trafega atoleiro, vem vindo o Salustiano, um aspa-torta(3) com dois metros de altura e "uma feiúra de partir espelho". Vinha limpando as unhas com uma carneadeira luminosa.

- Pois o matungo na cor dos campos te serve melhor de montaria, seu maturango(4) - falou e disse o desabusado.

"Bêbado de susto" e atropelo, Joveniano teve apenas tempo de aliviar os acontecidos.

- Epa, epa - retrucou. - Eu só vim avisar que a primeira demão, tá seca!

(1) flaco - fraco; (2) cuscos - vira-latas; (3) aspa-torta - indivíduo turbulento, desordeiro; (4) maturango - que monta mal.

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O gaúcho prestou grandes favores a um industrial carioca e foi convidado a passar alguns dias na mansão do milionário no Rio. Tanto recusou os convites que o carioca mandou buscá-lo em seu jatinho particular. Aí o índio não resistiu e se mandou pra cidade maravilhosa.

Saiu do aeroporto direto para uma Mercedes último tipo, todo automático,vom botão pra baixar vidro, subir antena, bar embutido, televisão, telefone, o índio babando no lenço de admiração. Quando reparou no símbolo da Mercedes na frente do carro, perguntou pro motorista para que servia aquilo e o carioca, bom gozador, inventou que era a mira do veículo. Pra mostrar na prática pra que servia, apontou um velhinho que ia atravessando a rua e falou:

- Vou acertar ele em cheio olhando pela mira.

Acelerou o carrão e quando chegou a centímetros do pedestre, desviou. Já ia dar uma gargalhada do susto que devia estar o gaúcho quando ouviu um baque no lado do carro. Olhando pra trás, viu o desgraçado do velho todo quebrado no meio da rua. E o gauchão explicando:

- Ôta, que se eu não abro a porta ele nos escapava!

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O gaúcho foi a uma dessas galerias onde só tem consultório, lanchonete, escritório, entrou no elevador e mandou tocar pro oitavo andar. No saguão, olhou pra direita e pra esquerda e ficou indeciso entre os dois compridos corredores com vinte portas cada, todas com sua plaquetinha e a inscrição "Doutor Fulano, especialista nisso e naquilo", "Doutor Beltrano, atende de tal a tal hora". tantas que meio se confundiu. Andou um pouco e quando soletrou numa das placas o nome do doutor Alfredo, pensou: é aqui! E entrou.

A sala de espera vazia, foi atendido logo.

- Pois veja doutor, o meu ovo esquerdo, o meu testículo, como se diz, está inchando cada dia mais. Até tá dando na vista quando a bombacha é poco folgada. O que é que o senhor me diz, doutor?

Coçando o bigode, divertido, doutor Alfredo explicou:

- Alfredo urologista é na porta da frente. Eu sou causídico, formado em Direito.

O gaúcho aceitava bem a explicação, muito calmo, até que ouviu as últimas palavras:

- Mas onde que tamo que até pra bago tem que ter lado certo pra consultar?

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Fontes: urbanasvariedades; Página do Gaúcho.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Mitos e verdades sobre a terceira idade

Não adianta negar, todo mundo vai envelhecer. O processo, que começa perto dos 30 anos com a queda da capacidade pulmonar e cardíaca máxima e com a diminuição na produção de colágeno, é inevitável. Saiba mais sobre os mitos e verdades que acontecem com o corpo quando você alcança a casa dos 60.
 

Quando ficamos velhos, ficamos mais esquecidos. Mito. Do ponto de vista neurológico, existem modificações sim, porém, nem sempre elas comprometem a função cerebral do indivíduo, explica Roberto Dischinger Miranda, geriatra.

Algumas mudanças no estilo de vida fazem com que o idoso fique menos atento ou participativo. À medida que a pessoa fica mais tranquila, tende a diminuir o poder de assimilação dos fatos. A nossa memória está relacionada à atenção.

Quando ficamos mais velhos precisamos nos exercitar menos. Verdade. As alterações no organismo próprias do envelhecimento começam aos 30 anos, com elas vem a diminuição das capacidades pulmonar e cardíaca máximas. A repercussão dessas mudanças na vida cotidiana é pequena, porém, a queda de desempenho pode ser facilmente sentida durante os exercícios físicos. Os exercícios devem ter uma intensidade diferente daquele praticado quando a pessoa era jovem. Mas, em qualquer idade, a atividade física é importante. E a performance ao se exercitar dependerá de cada um, é uma capacidade individual, comenta o geriatra.

As dores são inevitáveis, principalmente as causadas pela artrite. Mito. Osteoartrose é uma das doenças mais comuns no envelhecimento e provoca dor. Apesar das dores ocasionadas pela degeneração da cartilagem serem consideras comuns, não podemos considera-las normais. O paciente deve ir ao médico para fazer um tratamento, fisioterapia e controlar o peso, explica o médico.

O desejo sexual diminui com a idade. Verdade. Segundo Roberto Dischinger Miranda, o desejo sexual tende a diminuir com a idade, por ser próprio do envelhecimento humano. Nas mulheres, a menopausa faz com que a lubrificação diminua, o que causa dores durante a penetração. No homem, é comum a disfunção erétil. Porém, muitas vezes isso não impede a vida sexual do casal. É importante que os dois estejam bem com a prática, seja uma vez ao dia ou uma vez ao mês.

Acima de 60 anos devo procurar um geriatra. Mito. O geriatra é nada menos que um médico generalista com especialização em doenças mais comuns da terceira idade. Como o processo de envelhecimento começa quando somos jovens, é possível ir ao geriatra para acompanhar o avanço da idade, de maneira preventiva. Não há nada que impeça a pessoa de envelhecer, o importante é manter a capacidade funcional, motora, física e mental, explica o médico.

As pessoas com mais de 60 anos sentem menos sede. Mito. A estrutura fisiológica em si não causa essa alteração. Muitas vezes, o que acontece é que o idoso perde bastante água por um quadro de incontinência urinária ou devido aos remédios diuréticos. Com isso, eles tendem a diminuir a ingestão de água conscientemente ou não, diz a nutricionista especializada em gerontologia Maristela Strufaldi. O quadro pode levar à desidratação, tontura, problemas intestinais e prejudicar a pele. Por mais que o corpo não exija, deve-se tomar a mesma quantidade de água que antes, defende Maristela.

Os idosos sentem menos sono. Mito. Algumas teorias defendem que o que acontece na verdade é uma mudança na arquitetura do sono. Muitas vezes, o idoso tem a sensação de que dorme menos ou de que não dormiu bem. Mas nem sempre isso é real, comenta Miranda. Quando a atividade do corpo é menor durante o dia, é natural que as horas de sono diminuam. Porém, nem sempre é preciso tratar com medicamentos. Primeiramente, é preciso investigar as causas dessa mudança e, se possível, trata-las.

O paladar muda com a chegada da idade. Verdade. Assim como os outros músculos, as papilas gustativas, que ficam na língua, tendem a atrofiar. Isso influência na percepção do paladar. Para compensar essa perda, os idosos tendem a buscar alimentos ora muito doces, ora muito salgados, elucida Maristela.

Os músculos desaparecem com o passar do tempo. Verdade. Segundo a nutricionista, a queda funcional do corpo faz com que aumente a quantidade de gordura, diminua a quantidade de massa magra e ocasione a queda no colágeno. O quadro, normal com o envelhecimento, acontece devido à morte celular e à atrofia muscular. O problema pode ser levemente corrigido com atividade física e alimentação balanceada.

Existem doenças consideradas normais na 3ª idade. Mito. Tudo que é considerado doença não pode ser chamado de normal. Pressão alta, diabetes, catarata são comuns, porém, jamais devem ser consideradas normais, uma vez que comprometem a vida do indivíduo. O ideal é envelhecer com saúde e bem-estar, completa o geriatra.

Fonte: Terra

O sal na comida

Diminuir a quantidade de sódio ingerida diariamente é um bom caminho para quem quer evitar doenças graves como insuficiência renal , hipertensão e problemas cardiovasculares.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza o valor máximo de 5g de sal por dia, o equivalente a 2g de sódio. A quantidade consumido hoje pelo brasileiro, segundo o iBGE, é duas vezes maior. A cada 1000mg de sal 400mg são de sódio.

“Uma colher rasa de café tem 3g de sal, já uma colher rasa de sobremesa tem 5g”, alerta Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Comida congelada, alimentos processados ou vendidos em lojas de fast-food e temperos prontos formam o trio mais perigoso para quem não pode exagerar no sal – nesses produtos, ele é o principal ingrediente que garante a conservação das propriedades e do sabor.

O nefrologista indica duas boas condutas que podem ajudar a reduzir a ingestão de sal: tirar o saleiro da mesa (assim a pessoa não tem como colocar mais sal na comida) e olhar a tabela nutricional presente nos alimentos. A conta é simples: alimentos com mais de 480mg de sódio por porção, por exemplo, devem ser consumidos com moderação, pois já são ricos nesse mineral.

Fonte: iG São Paulo
Texto: Chris Bertelli

Ter fé é o melhor remédio

Deus, energia, otimismo, força do pensamento, esperança. Não importa que nome você dá àquilo que traz conforto, disposição, alegria e segurança nos momentos difíceis. O fato é que quem consegue mentalizar o bem mesmo quando as coisas vão mal e acredita que, no fim, tudo vai dar certo vive melhor.

O maior estudo já realizado sobre a influência das emoções na saúde saiu da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Para os pesquisadores, satisfação e felicidade teriam a mesma relevância na prevenção de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais (os derrames) do que fatores como idade, peso, tabagismo e condição socioeconômica. Trocando em miúdos, os riscos de alguém que tem fé na vida desenvolver doenças são muito menores do que quem não crê que tudo pode acabar bem.

A nova saúde

A ciência tem se dedicado tanto a estudar a influência das emoções e das crenças na vida das pessoas que a medicina vem adaptando suas práticas na prevenção e no tratamento de doenças. Desde a década de 1970, importantes hospitais e centros médicos nos Estados Unidos, no Canadá, na Europa e em Israel começaram a criar departamentos que colocam em prática ações que consideram o indivíduo como ser integral, a chamada medicina integrativa. Por exemplo, quando se trata a obesidade, não é apenas o sistema endócrino ou o estômago que estão em questão, mas o ser humano por trás deles, seus medos e anseios, suas dúvidas e certezas. O foco deixa de ser a doença e passa a ser o paciente. "O sintoma é só a ponta do iceberg, são os 10% que ficam para fora da água que encobre algo bem maior", define o endocrinologista Filippo Pedrinola.

Alimente o espírito

Foi-se o tempo em que a busca por um sentido mais amplo para a vida só existia dentro das religiões. O que conta quando o assunto é entender por que as coisas são como são - e, às vezes, tão difíceis - é espiritualidade. "Ela pode ser entendida como uma força que faz você entrar em contato consigo mesma", define Pedrinola. "Isso pode ser conseguido com a meditação, a arte ou um exercício que dê prazer e a coloque em contato com o que você tem de melhor", completa.

Um estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, com monitoramento por imagem do cérebro dos voluntários, mostrou que, naqueles que diziam ter uma crença - religiosa ou não, mas que se diziam espiritualizados -, a atividade do córtex cingulado anterior (área do cérebro que funciona como uma espécie de alarme quando nos sentimos com medo ou inseguras) foi menor. A interpretação dos cientistas foi que, quanto menor a fé na vida, maior é a propensão de desenvolver distúrbios ligados ao stress e à ansiedade - dois conhecidos vilões da saúde, que podem levar a quadros de compulsão alimentar, sono ruim, gastrite, doenças de pele, males do coração e outros problemas.

Fonte: BOA FORMA / M de Mulher
Texto: Marcia Kedouk

A música piorou nas últimas décadas

Pesquisa científica analisou quase 500 mil músicas, da década de 50 até 2010, e avaliou características como timbre, tom e volume. O resultado é que a qualidade da música piorou. 

A música piorou nas últimas décadas. O que parece relativo quando dito por um crítico ganhou tons científicos com um estudo realidado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha.

Pesquisadores, através de programas de computador, analisaram cerca de 500 mil músicas populares do Ocidente lançadas entre 1955 e 2010, incluindo pop, rock, hip-hop, folk e funk.

Com os resultados obtidos, avaliaram tendências com o passar dos anos. As diferentes transições entre combinações de notas diminuíram de número nas últimas décadas. A variedade de timbres na música pop também caiu significantemente desde os anos 1960.

Sobre este fato, a conclusão dos pesquisadores é que os compositores tendem a se manter fiéis às mesmas qualidades de som obtidas anteriormente. O volume, porém, tem aumentado desde 1955, em uma "espécie de corrida pela música mais alta".

Para a pesquisa, primeiramente foram avaliados elementos como timbre, tom e volume. Depois, observou-se as diferentes tendências das características ao longo dos anos. A cada batida, os computadores representavam as informações obtidas através de números. Com isso, foi possível identificar diferenças nas harmonias, melodias e acordes, além da intensidade em que eram executadas. Para cada timbre, as ondas foram medidas e avaliadas em relação à sonoridade obtida através das combinações com os outros instrumentos e efeitos.

A partir desta fase foi construído um vocabulário musical. Através da associação de palavras aos números, foram criadas espécies de textos que podem representar um estilo musical de determinado ano ou época. Desta maneira, foi possível descobrir padrões estatísticos sobre a variedade de "textos" surgidos em determinado período, a frequência em que foram usados e os mais comuns ao longo do tempo.

— Nesta fase, observou-se um fenômeno literário em que a palavra mais repetida é duas vezes mais escrita do que a segunda mais repetida, que por sua vez aparece três vezes mais que a terceira. O mesmo padrão se repete na música — explica Joan Serrà, autor da pesquisa junto com Josep Lluís Arcos.

Fonte: O Globo.