quinta-feira, 31 de março de 2016

Gato Preto Atravessando na sua Frente


Na Europa medieval os gatos tinham má reputação, pois eram associados com bruxas e hereges, e acreditava-se que o diabo poderia se transformar em um gato preto (Socorro! Sou um pobre gato preto). Em seu artigo “Heretical Cats: Animal Symbolism in Religious Discourse” (Gatos Heréticos: Simbolismo Animal no Discurso Religioso), Irina Metzler analisa a forma de como este ponto de vista sobre os felinos surgiu. 

Assim discorre o artigo, do qual traduzo, adaptando, livremente do meu jeito, algumas partes:

Os gatos tiveram um papel muito importante para os seres humanos na Idade Média: eles caçavam ratos, evitando um sério incômodo para as pessoas, que naquela época, não tinham o mínimo conceito de higiene, e preservando alimentos estocados. No entanto, alguns escritores medievais ainda viam essa atividade em tons negativos, muitas vezes comparando a forma de como eles capturavam ratos com a forma de como o diabo poderia capturar as almas das pessoas.

Por volta do século XII, essa associação com o diabo se tornou ainda mais arraigada. Por volta de 1180, Walter Map explicava em uma de suas obras que, durante rituais satânicos "o diabo desce como um gato preto diante de seus devotos. Os adoradores apagam a luz e se aproximam do lugar de onde viram o seu mestre. Sentam-se atrás dele e quando este levanta sua cauda, começam a beijar o local debaixo desta" (esse gatinho morrendo de rir ...).

Grupos religiosos heréticos, como os cátaros e valdenses, foram acusados por clérigos católicos de se associarem e até mesmo adorarem gatos. Quando os Templários foram levados a julgamento no começo do século XIV, uma das acusações contra eles foi que permitiam que gatos fizessem o seu papel na rotina dos seus serviços e até mesmo "rezavam" por seus felinos diabólicos de estimação. A grande maioria foi chacinada ou mesma julgada e queimada junto com os bichanos.

As mulheres, muitas das quais camponesas (quase todas com um gatinho lindo, negro, como eu), que praticavam curas com ervas em enfermos de algumas vilas, coisa tradicional, arraigada, passada por gerações, muitas descendentes do povo celta, eram "bruxas" nas cabecinhas infelizes de muitos cléricos da santinha inquisição e também foram acusadas de se transformarem em forma de gatos, o que levou o Papa Inocêncio VIII (Lembram-se dessa criatura?) declarar em 1484 que "o gato era o animal do diabo e o ídolo favorito de todas as bruxas."

Nem todos os europeus medievais odiavam os gatos. Há muitos relatos de gatos sendo mantidos como animais de estimação, incluindo freiras. Além disso, os muçulmanos medievais gostavam muito de gatos. Afinal de contas, o Islã sugere que o Profeta Maomé e outros representantes dessa religião gostavam de gatos e os tratavam muito bem. Talvez a limpeza desses animais era altamente atraente para os muçulmanos.

Nas cidades medievais do Oriente Médio você poderia mesmo encontrar instituições de caridade que cuidavam de gatos de rua (peleques que nem eu... eh eh eh eh). Um peregrino europeu que viajou para o Oriente Médio ainda observou que entre as diferenças entre muçulmanos e cristãos era que "Eles gostam de gatos, enquanto nós gostamos de cães".

Artigo traduzido, adaptado, porém não modificado no seu sentido. Estou publicando aqui, nesse meu blog quase extinto, esquecido.

Dedico à Nakano Aline, pelo seu amor aos gatos. Beijos felinos!


Fontes: Mediavalists.Net.

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